O Sonhador

Traduzido por João Pereira e Daniela Suchanek

Introdução
Prefácio ou Epílogo
O Sonhador
O Rapaz Azul
No Planeta  das Cenouras
Medo
Outra Vez Medo
As Estranhas Pessoas do Planeta Hortus
Os Dois Lutadores
Homem Contra Homem
A Guerra em Marte
O Escravo
Os Bons Contadores
A Estranha Guerra
Arobanai
Cobra Estrelar
Engarrafamento de Trânsito
Os Dois Prisioneiros
Justiça
Relatório para o Concelho do Sistema Solar Unido
Palavras Abertas
A Bomba
Prefácio ou Epílogo
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Era uma vez um homem que era um sonhador. Ele acreditava, por exemplo, que deveria existir uma maneira de ver as coisas a uma distância de dez mil quilómetros. Ele imaginava que deveria existir uma maneira de comer a sopa com um garfo. Ele pensava que deveria haver uma maneira de as pessoas se aguentarem com a cabeça no chão, e ele estava convencido que deveria de haver uma maneira de viver sem medo.

As pessoas disseram-lhe: "Nenhuma dessas coisas pode ser feita; és um sonhador!", "Tens de abrir os olhos e aceitar a realidade!" e elas disseram: "Há leis da natureza que tu não podes mudar!"

Mas o homem disse: "Eu não sei... deve de existir uma maneira de respirar debaixo de água. E deve de haver uma maneira de dar algo que comer a toda a gente. Deve haver uma maneira para todos aprenderem o que querem. Tem de existir uma maneira de olhar para dentro da tua barriga."

E as pessoas responderam: "Controla-te, essas coisas nunca vão acontecer. Tu não podes simplesmente dizer que queres algo e esperar que isso aconteça. O mundo é como é e pronto!"

Quando a televisão e as máquinas de raio-x foram inventadas, o homem podia ver a uma distância de dez mil quilómetros e podia ver o interior da sua própria barriga. Mas ninguém lhe disse: "Está bem, afinal não estavas tão errado." E também ninguém disse nada depois de alguém ter inventado fatos de mergulho que permitiram as pessoas respirar facilmente debaixo de água. Mas o homem disse para ele mesmo: era o que eu pensava. Talvez um dia ainda seja possível viver sem guerras.